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Impostos · planejamento

Por que bilionário quase não paga imposto, e o que disso você pode usar na sua empresa

A regra que deixa o patrimônio dos mais ricos crescer sem imposto existe aqui também. Eu te mostro como ela funciona e como usar o que vale no Brasil para pagar menos, sempre dentro da lei.

O Mark Zuckerberg recebeu um dólar de salário em 2025. Um dólar no ano inteiro. Ao mesmo tempo, o patrimônio dele passa de 200 bilhões de dólares, quase todo em ações da Meta. E um levantamento com dados da própria Receita americana mostrou que os 25 americanos mais ricos pagaram, em cinco anos, só 3,4% de imposto sobre o quanto enriqueceram.

US$ 1
salário anual do Zuckerberg em 2025
≈ US$ 220 bi
patrimônio dele, quase todo em ações da Meta
3,4%
imposto dos 25 mais ricos dos EUA sobre o quanto enriqueceram

Quando eu postei isso, a pergunta que mais chegou foi: isso é sonegação? Não. Ninguém nessa história deixou de declarar nada. O que eles fazem é usar, em escala, uma regra simples sobre o que conta como renda. E a parte que mais me interessa é outra: boa parte dessa lógica vale para quem tem empresa no Brasil, e quase ninguém explica isso para o dono do negócio.

Então este post tem duas metades. Primeiro, a mecânica dos bilionários, rápida. Depois, o que você consegue usar aqui, com a lei de 2026 na mão, para levar para o seu contador.

Renda paga imposto. Patrimônio que cresce, não

Salário é renda. Cai na conta, o imposto sai na fonte, todo mês, sem escolha. Nos EUA, a alíquota máxima do imposto de renda federal sobre salário é de 37%.

Ação que valoriza funciona de outro jeito. Se você comprou por 10 e hoje vale 100, você ficou mais rico, mas não recebeu nada. Enquanto não vende, esse ganho é um número na tela. E ganho que não foi realizado não paga imposto. Nem lá, nem aqui.

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Um por vez, sobre imposto, dinheiro e empresa, escritos para quem é dono do negócio. Dá para sair com um clique.

Quem vive de salário
imposto todo mês, na fonte, sobre cada real que entra
Quem vive de patrimônio
zero enquanto não vende, mesmo ficando mais rico todo ano
Ilustração da lógica, com a alíquota máxima federal dos EUA sobre salário. A proporção real depende de faixa, estado e deduções.

Por isso o fundador recebe salário simbólico. O salário seria a parte mais cara da remuneração dele. O documento que a Meta entregou à SEC, a CVM americana, em abril de 2026 mostra isso preto no branco.

Tabela de remuneração da Meta de 2025: Mark Zuckerberg, salário de 1 dólar em 2025, 2024 e 2023
Tabela de remuneração do relatório da Meta à SEC de 2026. Salário de US$ 1 em 2025, 2024 e 2023. Destaque nosso.

Enquanto isso, a ação que ele guarda não parou de subir. É ali que a riqueza cresce, e é ali que o imposto só aparece se ele vender.

Ação da Meta, fechamento mensalUS$ 31,10 → US$ 642,62
jun/2012out/2026

Comprar, pegar emprestado, morrer

Nos EUA isso tem nome: buy, borrow, die. A expressão é do professor de direito tributário Edward McCaffery, da USC. São três passos, e cada um usa uma regra diferente.

Comprar. Acumular ativo que valoriza: ações da própria empresa, imóveis, participações. O patrimônio cresce todo ano e, como nada é vendido, não existe imposto sobre o ganho.

Pegar emprestado. Em vez de vender ação para pagar a vida, pega empréstimo no banco usando as ações como garantia. Empréstimo precisa ser devolvido, então não é renda. O que se paga é juro. O mesmo documento da Meta mostra 12 milhões de ações do Zuckerberg dadas em garantia de empréstimo, mas não diz o valor nem para que serve. Dá para afirmar que ele tem crédito com ação de garantia. Não dá para afirmar o motivo.

Morrer. Nos EUA, quando a pessoa morre, o custo das ações é atualizado para o valor do dia da morte. Todo o ganho acumulado em vida some para fins de imposto de renda. Os herdeiros vendem uma parte, quitam as dívidas e o ciclo recomeça. Ainda existe lá um imposto sobre herança de 40%, que o planejamento sucessório costuma reduzir.

O resultado aparece na conta que a ProPublica fez em 2021, com dados obtidos da própria Receita americana: imposto pago dividido pelo quanto a pessoa enriqueceu.

Quanto o patrimônio dos 25 mais ricos cresceu, 2014 a 2018
US$ 401 bi
Quanto pagaram de imposto de renda federal no período
US$ 13,6 bi
3,4% do quanto enriqueceram.
A mesma conta, por pessoa
Warren Buffett
0,10%
Jeff Bezos
0,98%
Michael Bloomberg
1,30%
Elon Musk
3,27%
Conta da ProPublica para 2014 a 2018. O Zuckerberg aparece na matéria entre os CEOs de salário de US$ 1, mas sem alíquota publicada, por isso não está na lista.

O passo que eu não copiaria

Crédito com ação de garantia tem uma cláusula que ninguém mostra no vídeo. Se a ação cai abaixo do limite combinado, o banco pede mais garantia ou vende as ações por você, no pior momento. E venda gera justamente o imposto que a estratégia queria evitar.

valor das ações dadas em garantialimite do banco
Ilustração. Um estudo apresentado no NBER aponta que o crédito contra ações é pequeno perto do ganho acumulado: o grosso do efeito vem de simplesmente não vender.

E no Brasil, funciona?

A primeira parte, sim. Ganho que não foi realizado não paga imposto aqui também. O resto muda bastante, e o passo que fecha a conta lá não existe do mesmo jeito.

EUABrasil
Ação valorizou e você não vendeuSem impostoSem imposto
Vendeu ações na bolsa com lucroAté 20% federal no longo prazo, mais 3,8% sobre renda de investimento em alguns casos15% sobre o lucro (20% em day trade). Isento se o total vendido no mês ficar em até R$ 20 mil
Vendeu outros bens com lucroGanho de capitalDe 15% a 22,5% sobre o ganho, por faixa: 15% até R$ 5 mi, 17,5% até R$ 10 mi, 20% até R$ 30 mi, 22,5% acima
Pegou empréstimo dando ativo de garantiaNão é rendaTambém não é renda, mas o crédito para pessoa física paga IOF e o custo do dinheiro aqui é outro
HerançaCusto atualizado na morte e imposto federal de herança de 40% acima da isençãoITCMD estadual, que a reforma tributária tornou progressivo. O herdeiro recebe pelo valor de declaração (sem IR na hora) ou de mercado (IR sobre a diferença)
Lucro da empresa para o donoDividendos tributadosDesde jan/2026, 10% retidos na fonte acima de R$ 50 mil no mês da mesma empresa para a mesma pessoa, e imposto mínimo acima de R$ 600 mil por ano
Nos EUA o ganho acumulado some na morte. No Brasil ele fica: ou é tributado na transmissão, ou fica embutido no custo e aparece quando o herdeiro vender. A cobrança na transmissão a valor de mercado está em discussão no STF.

Você provavelmente não tem bilhões em ações. Mas a lição de fundo serve para qualquer empresa: o imposto depende de como o dinheiro chega até você. Renda, lucro, ganho de capital e patrimônio parado são tratados de jeitos diferentes pela lei. Quem escolhe o caminho antes paga o que a lei manda, e nada além disso. Quem não escolhe paga pelo caminho mais caro, no automático.

Planejar imposto é decidir o caminho antes do fato acontecer. Depois que aconteceu, só resta declarar.

Essa é a diferença entre elisão e evasão. Elisão é organizar a empresa do jeito que a lei permite, para pagar menos. Evasão é esconder o que já aconteceu, e é crime. Tudo daqui para baixo está do primeiro lado, e nada funciona sem contador.


1. Comece pelo regime tributário

A maior parte das empresas está no regime em que foi aberta, e não no regime que faz sentido hoje. Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real cobram de formas diferentes sobre a mesma receita. A distância entre a escolha certa e a errada costuma ser maior que qualquer corte de custo que você faça no ano.

Se você presta serviço pelo Simples, existe um detalhe que decide muito dinheiro: o Fator R. Ele é a folha de pagamento dos últimos doze meses dividida pela receita bruta dos últimos doze meses. Com a razão em 28% ou mais, a empresa cai no Anexo III, que começa em 6%. Abaixo de 28%, cai no Anexo V, que começa em 15,5%.

Mesma empresa e mesmo faturamento, e a conta muda de patamar. O cálculo é refeito todo mês, então dá para entrar e sair de anexo sem ninguém perceber.

A armadilha

Trocar de regime envolve limite de receita, atividade, CNAE e custo de folha. Se faz com o contador, com projeção de doze meses, uma vez por ano, na janela certa.

2. Pró-labore e lucro: as duas portas para tirar dinheiro

Sócio pode receber da empresa por dois caminhos ao mesmo tempo. O pró-labore paga o seu trabalho: entra na tabela do imposto de renda da pessoa física e tem INSS. A distribuição de lucros devolve ao dono o resultado da empresa.

Quem tira tudo como pró-labore paga imposto progressivo e INSS sobre tudo. Quem define um pró-labore compatível com a função e recebe o resto como lucro apurado costuma pagar menos, de forma legal. Eu vejo esse erro em muita empresa boa.

O que mudou em 2026 com a Lei 15.270/2025

Desde 1º de janeiro, quando a mesma empresa paga mais de R$ 50 mil em lucros no mês para a mesma pessoa física, há retenção de 10% de imposto na fonte. A conta soma tudo o que aquele CNPJ pagou àquele CPF no mês. Abaixo disso, não há retenção. E essa retenção funciona como antecipação: o acerto acontece na declaração anual.

A mesma lei criou o imposto mínimo para quem soma mais de R$ 600 mil de rendimentos no ano, com alíquota efetiva que chega a 10% acima de R$ 1,2 milhão. Ele vale para a renda recebida a partir de 2026 e aparece na declaração de 2027. Lucros aprovados até 31/12/2025, sobre resultados até 2025, seguem isentos se forem pagos até 2028.

Muito conteúdo sobre "pró-labore baixo e o resto no lucro" foi escrito antes dessa lei. Se o seu planejamento é de antes de 2026, ele precisa ser revisto.

A armadilha

Pró-labore baixo demais é autuável: a Receita entende que quem trabalha na empresa precisa de remuneração compatível com a função. E lucro só é lucro com contabilidade que comprove o resultado apurado.

Tem mais um ponto: o pró-labore entra na folha do Fator R. Baixar o pró-labore ao extremo pode derrubar o Fator R e jogar a empresa para o Anexo V. Por isso as portas 1 e 2 se decidem juntas.

3. Na pessoa física, use as deduções

Na declaração, quase todo mundo escolhe entre simplificado e completo no piloto automático. O simplificado aplica um desconto padrão. O completo soma as suas deduções reais. Quem tem plano de saúde, dependentes, escola e previdência costuma pagar menos no completo, e muita gente nunca testou.

Despesa médica não tem teto, desde que comprovada. E a previdência do tipo PGBL é dedutível até 12% da renda bruta tributável do ano. O PGBL adia o imposto: você reduz a base de hoje e paga no resgate. Só vale com declaração no modelo completo, contribuição para a previdência oficial e dentro do teto dos 12%.

4. Patrimônio que cresce: decida quando vender

Essa é a parte que os bilionários ensinam de verdade. O imposto sobre ganho só aparece na venda. Então quando e como vender também é decisão, e planejar isso sem pressa e sem urgência de caixa é legítimo.

Em ações na bolsa, a Lei 11.033/2004 isenta o ganho quando o total vendido no mês fica em até R$ 20 mil. Repare: o limite é sobre o valor vendido, não sobre o lucro. Acima disso, o ganho paga 15% (20% em day trade). Em outros bens, como imóvel ou participação em empresa, o ganho de capital paga de 15% a 22,5%, conforme a faixa. Antes de vender um ativo grande, simule o imposto com o contador. A faixa muda a alíquota.

5. Holding: aluguel, sucessão e proteção

Holding é uma empresa cujo trabalho é ser dona das coisas: imóveis, participações, patrimônio. Ela resolve três problemas, e só um é imposto.

A armadilha

Holding tem custo de manutenção, contabilidade e obrigações. Abaixo de um certo patrimônio, ela custa mais do que economiza. E colocar imóvel dentro da empresa pode gerar imposto na própria transferência. Isso se avalia antes, com quem responde tecnicamente.

6. Separe a pessoa física da empresa

Nenhum dos caminhos acima funciona com o caixa misturado. Se a conta da empresa paga o mercado de casa e a sua conta pessoal paga fornecedor, ninguém sabe qual é o lucro de verdade. E sem lucro apurado não existe distribuição de lucro, só retirada sem explicação.

Separar é chato e é a base de tudo. A empresa paga as contas da empresa. Você recebe da empresa por pró-labore ou por lucro, com data e valor. Assim o seu contador consegue planejar, em vez de só apagar incêndio no fim do ano.

Por onde começar na segunda-feira

Nenhuma dessas perguntas é sobre esconder nada. O que custa caro para quem empreende é decidir sem conhecer a regra.

Uma palavra minha

Tudo isso começa com o financeiro organizado

Todo planejamento que eu descrevi aqui depende de uma coisa antes: saber o que entra, o que sai e por onde passa. Contador nenhum planeja em cima de extrato bagunçado.

Na minha operação, quem organiza recebimentos e pagamentos é a DominiPay, a empresa que eu fundei. Uso no meu dia a dia o que a gente constrói lá.

Para nós, self-bank é uma experiência de mais visibilidade, coordenação e controle sobre os próprios fluxos, com uma jornada simples para quem opera.

Conhecer a DominiPay

A DominiPay não substitui o seu contador e não muda o imposto que você deve. Ela deixa a operação clara para essa conversa acontecer.

De empreendedor para empreendedor
Te aviso quando sair o próximo

Sem data prometida e sem título anunciado antes da hora. Só aviso de material novo, nada além disso.

Aviso: este post é educativo e explica como regras tributárias funcionam. Não é aconselhamento tributário, jurídico nem de investimento. Regras e alíquotas mudam: confirme a regra vigente e decida com o seu contador. Nada aqui sugere deixar de pagar imposto devido.